quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Como é difícil governar

Um dia descobriu-se um buraco financeiro de 1,8 mil milhões de euros no BPN. E vai daí o estado injecta 1,8 mil milhões de euros nos cofres do BPN. Faz-se um rigoroso inquérito, apuram-se as responsabilidades. E vai daí …corta-se de 20 % nos salários dos funcionários públicos.
Meses depois descobre-se um buraco de 1,8 mil milhões de euros na ilha da Madeira. Faz-se um rigoroso inquérito, apura-se responsabilidades e vai daí corta-se metade do subsídio de Natal aos funcionários públicos.
Imediatamente a seguir descobre-se que a banca privada está esburacada e vai daí o estado pede um emprestimo à troika, 12 mil milhões de euros e dá à banca privada. Faz-se um apuramento das responsabilidades e vai daí cortam-se os subsídios de férias e de Natal aos funcionários públicos.
E todos os dias os ministros dizem ao povo " não temos outra alternativa ..." Sem cortes nos vencimentos dos funcionários públicos, “o trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima”


sábado, 19 de novembro de 2011

Para aumentar a competitividade...





Para a mentira ser segura
E ganhar profundidade
Tem de trazer á mistura
Qualquer coisa de verdade

António Aleixo







Agora a troika, os troikistas e os mais-troikistas-que-a-troika, anunciaram aquilo que já era esperado. Cortes nos salários, para … aumentar a competitividade das empresas, para … [salvar a pátria]
A competitividade depende de diversos factores:
1- Custo da matéria-prima
2- Custos das instalações
3- Gastos com a energia
4- Custo da mão-de-obra
5- Eficiência
6- Comercialização
Para aumentar a competitividade das empresas seria necessário:
1 – Baixar significativamente o IVA. Com custos acrescidos de 23 % na matéria-prima, à partida não pode existir competitividade.
2 – Os custos com as instalações, começando pela especulação imobiliária, são significativamente elevados e retiram ....competitividade
3 – A energia eléctrica e os combustíveis estão acrescidos de elevadíssimos impostos o que faz com que a energia em Portugal seja das mais caras do mundo. Com energia assustadoramente cara não existe competitividade possível.
4 – Os salários dos trabalhadores são dos mais baixos da Europa, não será por aí que existe perda de competitividade. A existência de significativos encargos com o pessoal deve-se ao facto de numa empresa com 400 trabalhadores existir um conselho de administração de 4 elementos a ganhar mais do que os 400 trabalhadores da empresa. A solução neste ponto seria reduzir os vencimentos dos gestores para níveis compatíveis com a realidade da empresa.
5 – A eficiência é a chave da competitividade. Trata-se de produzir uma determinada peça, num minuto, numa hora ou num dia. Porque geralmente os gestores são boys do partido, não são competentes e não sabem implementar eficiência.
6 – Quanto à comercialização, existe um velho truque. Baixar a cotação da moeda. Neste caso sair do euro (para o qual nunca se deveria ter entrado). Isso permitiria preços competitivos, aumentaria as exportações, levaria internamente a uma maior procura dos produtos nacionais e faria crescer a economia nacional.
Portanto o custo da mão-de-obra é um dos factores que influi no custo do produto final, mas na realidade portuguesa é precisamente o factor mais irrelevante, o menos significativo. Além de que será contraproducente. A perca de poder de compra dos trabalhadores irá conduzir a uma nova fase da recessão económica, irá agravar ainda mais a crise. Aliás, (como diz no cartaz do BE) isto não é crise coisa nenhuma. É um assalto.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Ponte para o Seixal

Existiu aqui (junto à actual estação dos barcos no Barreiro), outrora, uma ponte que fazia a ligação Barreiro- Seixal. A distância entre as duas margens, é de cerca de 500 m. Mas quem quizer ir até ao Seixal por terra vai ter de dar a volta por Coina, cerca de 17 Km, por mar vai de barco até Lisboa e depois volta para trás num outro barco até ao Seixal. Um verdadeiro desperdicio de tempo, dinheiro e combustível.


Porque é que se gasta tanto dinheiro em obras que só dão prejuizo (estádio de Leiria, por exemplo) e não se reconstruíu a ponte ? Na resposta estará o grande paradoxo da "democracia à portuguesa". Os interesses dos governantes não são os mesmos dos governados.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Uma tal de APPM




A Associação Portuguesa do Património Marítimo, o que é ?
Parece mais uma associação grega do que portuguesa. Dos cerca de 20 sócios, 15 são da direcção. Menos de metade da lista, 7 elementos, elegeram-se a si próprios e elegeram também os outros que não estavam presentes, alguns dos quais nem sequer conheciam e alguns dos quais nem poderiam, segundo os estatutos, (?) ser eleitos sequer.


Quem estiver interessado na defesa do património maritimo uma das primeiras coisas a fazer é não perder tempo com a APPM. Perdi lá uma tarde do sábado. Teria sido melhor ter ido dar uma tacada. Jogar snoker.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Em cargos influentes









Mais de 80 maçons em cargos influentes

“Miguel Relvas, um dos ministros mais influentes, Carlos Zorrinho, líder da bancada do PS, autarcas como Moita Flores ou Isaltino Morais, ex-ministros como Rui Pereira, ex-presidentes da AR como Almeida Santos, empresários como Jorge Coelho, deputados e muitas personalidades da sociedade fazem parte desta organização semi-secreta.” Estudo publicado no Diário de Notícias
Nos meus tempos da Escola Prática de Infantaria era frequente aparecerem ratazanas, sabia-se que o “calhau” (edifício do quartel) estava infestado dessa praga. Onde se vê uma ratazana existem 50. Sem pretender comparar o incomparável e apenas para efeitos de estimativa de cálculo pode-se utilizar esta relação de 1 em 50. 80 x 50 = 4000 (mais de 80, sem dúvida) . Se atendermos que nesses cargos os “influentes” auferem super vencimentos da ordem dos 200 000 € / mês, em média, então 4000 x 200000 = 800 000 000 € (oitocentos milhões de euros / mês). Ou seja 11 200 000 000 € / ano (11,2 mil milhões de euros / ano). E por aqui começa-se a ter uma noção da influência dos “influentes” nos cofres do estado. Se a maçonaria está estruturada ou não “como central para a tomada do poder” (António Reis ex grão mestre do GOL), isso é conversa de treta. Os maçons estão no poder. Põem e dispõem daquilo que não lhes pertence. Gastam muito mais daquilo que podem. Demasiadas, muitas vezes desnecessárias e sempre muito dispendiosas obras públicas habitualmente são “adjudicadas” as mesmas empresas onde figuram empresários “influentes”. O segredo é a alma do negócio e para isso a “organização [tem de ser] semi-secreta” (DN) . Mais correctamente dizendo, a alma do negócio tem sido a mentira. Nunca nenhum “influente” no poder disse nada como : “ a obra vai custar 10 mil milhões, não terá grande utilidade, prevê-se que depois de inaugurada vá dar um prejuízo de 2 milhões por ano, vamos ter de pedir o dinheiro emprestado e a obra já foi adjudicada à empresa do nosso ilustre camarada maçom fulano tal…” Aquilo que o poder diz é “ a obra é indispensável para o progresso do país e tem de ser feita e vai ser feita, isto não é nosso mas quem manda aqui somos nós “ E este é um segundo tipo de influência exercida pelos “influentes” sobre os cofres do estado (bem pior que o primeiro). Uma enorme dívida pública, que é já da ordem dos 100 % do PIB e vai agravar. Só pode agravar. E aqui é preciso contabilizar um 3º tipo de influência (esta bem pior que o segunda). A destruição do sector produtivo nacional. Inviabilizando a produção agrícola, as propriedades rurais ficam ao abandono, com elevados impostos e pagando a energia mais cara do mundo a indústria não consegue ter competitividade e as fabricas vão à falência e os comerciantes vão fechando as suas lojas. A classe média vai desaparecendo. Por dia aparecem em média 17 novas famílias a pedir ajuda à Caritas Portuguesa, antes pertenciam à classe média. Para uns a crise de outros representa apenas mais oportunidades de enriquecimento. Património público, empresas públicas, património de particulares incluíndo muito ouro, tudo isso está a ser vendido a baixo preço. Cada vez mais farequentemente se ouvem frases do tipo “ país está a saque”. Sem corrupção seria tão rico como a Finlândia.









quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A causa da crise






Imagine-se que uma qualquer pessoa, sentindo-se doente, 40 de febre, dá entrada nas urgências dum hospital. Que passa lá a noite no corredor e pela manhã, com a mudança de turno aparece um médico que lhe dá alta, com a seguinte justificação: “É preciso que você fique ainda mais doente para depois recuperar”. Em princípio um paciente, nunca iria acreditar em tal “balela” . Ao ir para casa sem qualquer tratamento arriscar-se-ia a morrer da doença. E duvida que aquele sujeito seja médico e apresenta queixa. E está no seu direito.
Inacreditavelmente, se um politico vier com “balelas” a dizer que “é preciso mergulhar na crise profunda para depois recuperar (…) que as crises são cíclicas, blá, blá, blá, etc…” há muito boa (e má) gente que acredita. Não só acreditam como servem também elas próprias de veículo de transmissão da mentira.
Para melhor entender a perversidade desta campanha publicitária, convém recuar um pouco na história. Ao terramoto de 1755, sismo de magnitude 9, seguido de um tsunami com ondas de 20 m de altura. Lisboa foi praticamente toda destruída, mais de 10 mil mortos. Conta-se que alguém perguntou ao Marquês de Pombal. “Então e agora” ?. Ao que este terá respondido: “ Enterram-se os mortos e cuida-se dos vivos”.
Com a morte do rei D. José I, em 1777, o Marquês de Pombal (que era maçon) é afastado do poder.
Em 1789 dá-se a revolução francesa (igualdade, Liberdade e Fraternidade), em 1799 a burguesia francesa coloca Napoleão no poder, em 1807, a primeira invasão francesa, Junot entra em Portugal “como cão por vinha vindimada”. A corte pisga-se para o Brasil. El-rei Junot é aplaudido por muitos portugueses (simpatizantes do liberalismo à francesa) e governa o país durante 8 meses. Mas muitos portugueses também se revoltaram, (Olhão por e para exemplo). Com a chegada das tropas inglesas Junot é forçado a sair do país, mas leva consigo avultados valores em ouro e prata e obras de arte provenientes do roubo às igrejas e dos saques às populações.
Dá-se uma 2ª invasão em 1808 e uma 3ª em 1810, esta comandada por Massena. A 3ª invasão foi detida nas linhas de Torres, concebidas pelo general inglês Arthur Wellesley. Por outro lado, Massena também era um brilhante estratega e concebeu uma retirada exemplar, com poucas baixas. As invasões francesas, muito pior que qualquer terramoto, deixaram o país devastado pela guerra, espoliado das suas riquezas (os franceses “roubavam tudo e não deixavam nada”) e devido à terra queimada muitos portugueses que não morreram da guerra morreram de fome. Mas eles (os liberais franceses) deixaram cá simpatizantes…. Em 1820 instalou-se em Portugal um regime de monarquia constitucional, com uma constituição inspirada no liberalismo francês.
Em 1892 José Dias Ferreira, bisavô de Manuela (Dias) Ferreira Leite, torna-se chefe do Governo, o país estava já em crise devido aos desmesurados investimentos em obras públicas. A dívida pública representava 81% do PIB. Juntamente com o Ministro da Fazenda - Oliveira Martins, tio-bisavô do actual presidente do Tribunal de Contas - tomou medidas de austeridade: subida de impostos, corte até 20% dos vencimentos dos funcionários públicos, suspensão de admissões no Estado e desvalorização cambial. Medidas essas que não resultaram, por uma razão muito simples. O problema não estava ali.
As obras públicas (estradas, portos, caminhos de ferro) assentavam num modelo que se pode considerar como a génese das actuais parcerias público-privadas. Eram concessões dadas a particulares que, muitas vezes, garantiam um determinado rendimento ao investimento e, se este ficasse abaixo desta garantia, havia compensação do Estado.
Em 1892 o rei D. Carlos doou 20% do seu rendimento anual para ajudar o Estado a sair da crise criada pelo “rotativismo” dos partidos. Deixou-se levar pelas “balelas” liberais e acabou assassinado por eles a 1 de Fevereiro de 1908.
A 5 de Outubro de 1910 é implantada a república. Não se trata de uma mudança de regime, mas de uma mudança da representação simbólica do regime. O regime deixou de ser representado simbolicamente por um rei, passou a ser simbolicamente representado por um presidente da república. O poder exercido pelo “liberalismo à francesa” continuou a ser exercido pelos mesmos agora com poderes ainda mais reforçados. Como consequência a crise foi-se agravando. A 1ª república durou 16 anos, ao longo dos quais houve oito Presidentes da República e 45 governos. À instabilidade politica acrescia a instabilidade económica. O país tinha uma agricultura de subsistência, uma indústria atrasada e um comércio atrofiado. Insuficiência produtiva, carestia de produtos, inflação, desvalorização da moeda e défice da balança de pagamentos ….
Com a revolução de 28 de Maio de 1926, e a criação do Estado Novo encerrou-se o período do liberalismo em Portugal. Aqui sim houve uma mudança de regime. A neutralização do liberalismo à francesa, permitiu estabilidade ao país. Em vésperas da queda do estado novo, não havia desemprego, não havia dívidas públicas, havia segurança nas ruas, mas o país continuava atrasado e pobre (em relação à média europeia) e estava a ficar desgastado pela guerra nas colónias.
O 25 de Abril de 1974 (a revolução dos cravos) foi uma revolta dos capitães milicianos, liderada pelo capitão Salgueiro da Maia e que acabou com a mais longa ditadura da história.
A 28 de Abril, vindo directamente de Paris, chega a Lisboa, Mário Soares. A 25 de Abril de 1975, nas primeiras eleições os neoliberais (nova vaga de liberalismo) conquistam o poder por via eleitoral.
Desde aí para cá, por causa da “rotatividade dos partidos” (os neoliberais do PS vão alternando com os neoliberais do PSD e cada um faz sempre pior que o anterior), a produção de CO2 tem vindo a aumentar, o PIB a diminuir, a divida do estado ultrapassa os 100 % do PIB, o desemprego deve rondar 1 milhão, as fabricas vão caindo como baralhos de cartas, a agricultura é quase inexistente, o défice na balança comercial é excessivamente elevado, os índices de criminalidade aumentam, as obras públicas inúteis e dispendiosas não param e os “muito competentes” gestores públicos ganham balúrdios, para que as suas empresas dêem milhões de prejuízo.
Há excepção do terramoto, de causa natural, a crise tem sido artificialmente provocada pela gestão danosa dos (neo)liberais. E até agora o governo que mais danos provocou na economia nacional foi o de Sócrates. Consta que esse sujeito vive em Paris, à grande e a francesa. Não há coincidências.

domingo, 6 de novembro de 2011

Festa de homenagem ao Padre Carlos

O Padre Carlos , tem 77 anos de idade e há cerca de 45 anos que está na paróquia de Alhos Vedros. É também um estudioso da história local, sendo autor do livro "Subsídios para a história de Alhos Vedros" . Os paroquianos reconhecidos fizeram uma festa em sua homenagem. O local escolhido foi, as instalações do rancho da Barra Cheia. O pleno coração da cultura caramela.


Aqui não podia faltar a famosa sopa. A sopa caramela (na foto em baixo) tem algumas semelhanças com a sopa da pedra, mas é mais leve (não tem pedras).






Na foto em cima, ao centro o padre Carlos, do seu lado direito o Dr Raul Coelho e do seu lado esquerdo a minha comadre Maria dos Anjos.










sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Desafios à sustentabilidade


No workshop “Desafios à sustentabilidade marítimo fluvial do estuário do Tejo”, usaram da palavra vários oradores uns do Instituto de dinâmica do espaço da Universidade nova de Lisboa, do Ecomuseu do Seixal e da Associação Naval Sarilhense, tudo gente com uma larga vivência na área e um grande conhecimento do assunto em debate.
Pareceu-me ponto assente que as embarcações tradicionais por volta dos anos 60 perderam a sua funcionalidade de transporte de pessoas e mercadorias e caíram em desuso. Hoje servem como embarcações de recreio e nada mais do que isso.
Poderá não ser uma verdade indiscutível. Um pequeno catraio de 5 metros pode fazer o percurso Sarilhos Pequenos – Cais dos Vapores (Montijo) em cerca de 20 minutos. De automóvel, demora-se o mesmo tempo, ou até mais. Isto permite afirmar que o catraio enquanto meio de transporte não é assim tão obsoleto, tão ultrapassado. O único senão é que a referida viagem por mar, requer maré e vento qb coisa que poderá acontecer apenas uns 4 a 5 dias por mês. Substituir, em certas ocasiões, o carro por andar a pé, de bicicleta ou até de catraio começa por ser uma questão de organização e de estilo de vida. Faria bem à saúde e poupava-se algum dinheiro em combustível. Quanto ao transporte de mercadorias entre as duas margens, imagine-se que determinadas mercadorias não sendo urgentes poderiam ser entregues num prazo de uma semana ou mais, imagine-se que 10 % das mercadorias que circulam ente as duas margens poderiam ser transportadas em embarcações tradicionais. Poupava-se em emissões de CO2, em combustíveis, criavam-se postos de trabalho, revitalizavam-se s embarcações tradicionais. Ao contrário dos anos 60 em que a energia era barata, agora temos energia cara, problemas ambientais de aquecimento global e uma crise económica. Todo um contexto em que o desafio é a sustentabilidade. Um sistema hibrído de transportes, bem organizado talvez até pudesse funcionar . Afinal estamos na era das telecominicações.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Movimentos migratórios para o estuário do Tejo

A minha família é originária de S. Marcos da Serra, Algarve, meu pai era ferroviário e terá vindo para Alhos Vedros nos anos 40. Já em Alhos Vedros encontrei um outro ramo da família também de S. Marcos da Serra este ligado á indústria corticeira.
O comboio fazia o transporte de cortiça dos montados alentejanos e da serra algarvia para as fabricas de cortiça do Seixal, Barreiro, Alhos Vedros, Montijo e daqui por sua vez a cortiça era transportada em fragatas e varinos para os navios de carga ancorados no mar da palha com destino à exportação. À construção da linha férrea e á implantação da industria corticeira e outras industrias está associado um significativo movimento migratório interno, principalmente de gentes oriundas do Alentejo e Algarve.
Um segundo movimento migratório (o do povo caramelo) era constituído por agricultores oriundos da Beira Litoral das zonas de Cantanhede e Mira e que se fixaram na região da Alhos Vedros e arredores. Pensa-se que a designação de caramelo possa estar relacionada com caramulo (Serra do Caramulo).
Um terceiro movimento migratório e era formado por pescadores oriundos de Viera de Leiria os avieiros (gaibéus) que se fixaram lá para os lados de Vila Franca de Xira e Azambuja. Construíram aldeias palafticas, casas assentes em estacas junto ao rio algumas das quais ainda existem, bem como as suas embarcações, as bateiras.
Um quarto movimento migratório foi constituído por pescadores oriundos de Ovar e Murtosa, os ovarinos. Os Ovarinos trouxeram os varinos embarcações que permitem navegar em pouca água. Pensa-se que o topónimo Ovar (o var) deriva do facto de estas embarcações no rio Vouga, muitas vezes terem de navegar à vara.
Finalmente a margem sul do estuário do Tejo há muito que era habitada (desde o paleolítico), mas em meados do sec. XX os aglomerados populacionais de Alhos Vedros, Montijo, Seixal, Barreiro… sofreram forte influência da industrialização pelo que a sua cultura de ligação com as actividades do rio, actualmente ainda se mantém, mas de forma algo diluída. Algumas aldeias como Sarilhos Pequenos, Gaio, Rosário, não sofreram essa influência e conservam uma quase genuína ligação com o rio. Essa ligação está presente em coisas simples como uma boa caldeirada à fragateiro confeccionada por antigos arrais. A este propósito transcrevo parte das declarações de um dos mais carismáticos arrais de Sarilhos Pequenos, Cipriano Fernandes tal como consta no livro “Trabalhar no Tejo” do Ecomuseu do Seixal. – “ a gente fazíamos a comida na altura e eles [os ovarinos] faziam uma panela de sopa que dava para toda a semana (…) a gente não, cozinhávamos ao almoço e cozinhávamos ao jantar” E um dos segredos de uma boa caldeirada está na qualidade do peixe e na qualidade dos produtos hortícolas. Junto ás margens do estuário do Tejo e de outros estuários encontra-se o tipo de solo mais produtivo que existe. Aqui eram produzidos produtos hortícolas de qualidade que davam para abastecer os mercados em Lisboa. O próprio estuário devidamente despoluído seria um importante viveiro de peixe e marisco. A preservação da cultura ribeirinha exige sustentabilidade económica e ambiental. Se os troikistas estivessem interessados em salvar o país, teriam outro tipo de orientação política, teriam começado por implementar medidas de desenvolvimento sustentável para o estuário do Tejo. Como não estão interessados, aumentam os impostos, cortam nos salários…. Um dia a amêijoa acaba e vamos todos ter de migrar ou emigrar daqui para fora.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Halloween

O Halloween é um evento tradicional dos países anglo - saxónicos, tendo origem em costumes dos antigos povos.
O halloween não faz nem nunca fez parte das tradições culturais portuguesas. Portugal é uma das nações mais antigas do mundo, tem tradições e cultura própria e não necessita de importar tradições do estrangeiro.
Se prentendem importar algo de útil, então importem organização e moral na administração pública. Limitem os vencimentos dos gestores públicos. Não é admissível que o vencimento do presidente da TAP - 624 mil euros em 2009, seja «mais do dobro do que recebeu Barack Obama» - e que o vencimento do presidente da Caixa Geral de Depósitos seja «mais do dobro de Angela Merkel».
Em 10 séc de história nunca a desorganização do país esteve tão bem organizada e sendo assim para prever o futuro , nem é necessário ir á bruxa.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Les Uns e les Autres


Lembro-me de sensivelmente 3 ou 4 anos depois do 25 de Abril de 1974, de se poder almoçar fora por cerca de 100$00 ou seja 0,50€ . Hoje, 30 e poucos anos depois paga-se pelo mesmo tipo de almoço cerca de 10 € . Daqui se pode inferir que o custo de vida de lá para cá tenha aumentado 20 vezes. Um recente estudo publicado no jornal expresso indica que o aumento do salário mínimo desde 1974 até agora foi de 88 € . Não dispondo de valores exactos, duvido que o valor possa estar correcto, por estimativa direi que actualmente o salário mínimo ronda os 460 € e poucos anos pós 25 de Abril rondaria os 40 €. O aumento terá sido cerca de 10,1 vezes. Ou seja não acompanha o aumento do custo de vida. Grande novidade. Seria muito interessante que o referido estudo fizesse referência aos ordenados máximos. Hoje esses ordenados rondam o meio milhão de euros. Por volta de 1974 um gestor público ganharia cerca de 100 mil escudos, 500 euros. Ou seja os salários máximos aumentaram no período em que nos estamos a referir qualquer coisa como 1000 (mil) vezes. Isso só é possível na "democracia à portuguesa" pois no tempo de Salazar, segundo a lei “quem quer que ocupasse lugares de responsabilidade pública não podia ganhar mais do que um ministro”. Portanto na prática, a democracia, o socialismo, a social-democracia à portuguesa serviu para aumentar desmedidamente as desigualdades sociais. E são precisamente os factos que inviabilizam qualquer pretensão de apresentar o rapaz de Massamá como o Salazar do séc XXI, como o salvador da pátria. Salazar não nos livrou da fome e mais tarde não nos livrou da guerra. Deixou o país pobre e atrasado, mas com as contas públicas equilibradas. O pai da democracia à portuguesa e seus seguidores continuam a deixar o país pobre, atrasado e com uma dívida pública monstruosa que irá hipotecar o futuro das próximas gerações.
Se um cidadão com o salário mínimo quiser comprar uma casa por 200 mil euros, simplesmente não pode. Ficaria endividado para o resto da vida e nunca a chegaria a pagar. Se um gestor de uma empresa pública contrair igual dívida isso será irrelevante porque ele a poderá liquidar a muito curto prazo. Comparativamente a dívida de um país também é relativa e é relativa ao PIB. Com um PIB bastante elevado a dívida poderá ser paga, com um PIB muito baixo a dívida jamais será paga. E esta é a realidade portuguesa.
A recuperação económica baseada em medidas de austeridade (entenda-se cortes nos salários dos trabalhadores) e não no aumento do PIB, é pura demagogia. Certa vez alguém, durante a inauguração da casa da música no Porto terá perguntado ao pai da democracia à portuguesa o que pensava da derrapagem de não sei quantos milhões no custo da obra, ao que este terá respondido qualquer coisa como…”alguém há-de pagar”.
Disse parte da verdade, mas não toda a verdade. E a verdade é que é que as inúmeras e muito dispendiosas obras públicas não servem para desenvolver o país. E são feitas porque alguém (os rapazes do partido) ganham e muito com elas. Uns, o povo português na generalidade e os funcionários públicos em particular vão pagar e bem caro a má gestão ou a gestão em proveito próprio de outros.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Um dos maiores génios de sempre .....



O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer.


Albert Einstein

sábado, 22 de outubro de 2011

Arbeit Macht Frei

Segundo as teorias em voga quando da minha passagem pelo serviço militar, o objectivo da guerra era eliminar o inimigo ou a sua vontade de combater. Na tropa falava-se muito nessa personagem do inimigo e eu por acaso até tinha um, era o 1º sargento da companhia. Por qualquer razão desconhecida ele não simpatizava comigo. Ele também não simpatizava com outros camaradas e mais parecia estar em guerra com o mundo.
Hitler no seu tempo estava em guerra com o mundo. Mas o seu ódio de estimação ia para os judeus. Por serem economicamente abastados e pertencerem à classe média e até alta. A propaganda Nazi (nacional socialista) tinha convencido muitos judeus a irem passar umas férias durante uns tempos e que poderiam voltar quando a situação do país estivesse mais normalizada. Então os judeus pagavam ao estado uma estadia por alguns meses em hotel de luxo, viagem ida e volta. E lá embarcavam num comboio em 1ª classe. Depois iam parando em estações e mudando de comboio. Dias depois estavam numa 3ª classe superlotada e dias depois apinhados dentro de um vagão de transporte de animais e dias depois entravam em Auschwitz. A história do holocausto é conhecida, assim como a apropriação dos nazis aos bens pertencentes aos judeus.
Os tempos foram mudando e as políticas totalitárias foram sendo substituídas sucessivamente pelas liberais, neoliberais e plus-ultra-neoliberais. E estes também têm um inimigo que é a classe média. Basta referir que em todos os países ricos têm uma forte classe média e que em todos os países pobres a classe média deixou de existir. Aí os boys do regime são imensamente ricos, mas a maioria da população vive abaixo do limiar da pobreza. Não se trata aqui de um holocausto, da eliminação física de uma classe, mas da sua vontade de combater. A propaganda neoliberal começa por convencer os funcionários públicos de que os cortes nos vencimentos são necessários para que a situação do país possa melhorar, vão fazendo cortes e mais cortes e em breve os funcionários públicos e não só, estarão tal como os chineses nas fábricas, a trabalhar 16 horas por dia, 365 dias por ano, a troco de uma chávena de arroz. E depois o país vai poder pagar as suas dívidas, a economia vai melhorar ? Não. O neoliberalismo transcende qualquer racionalidade. Aos governos neoliberais não interessa a economia nacional nem os interesses dos cidadãos. Cumprem-se planos onde se rouba à classe média para dar aos ricos. Arbeit Macht Frei ( o trabalho liberta ) ? Nicht (Não) . Só uma luta de classe determinada e bem organizada o pode fazer.


domingo, 16 de outubro de 2011

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Real Regata das Canoas









Poderá não ser o maior espectáculo do mundo, (há quem diga que é o carnaval de Alhos Vedros) mas o Tejo ficou mais lindo com este desfile de cerca de 40 barcos típicos e mais uns quantos atípicos. Segundo participantes na prova o dia esteve relativamente bom para navegar à vela.

sábado, 1 de outubro de 2011

Maré Cheia



Equinócio de Outono e Lua Nova , marés de 4, 3 m. Talvez as maiores do ano.Vento W (barra) , 8 nós +/-, habitual no Verão, óptimo para velejar.

A viagem foi de Sarilhos até ao Montijo e regresso. Pelo caminho estava um bando de flamingos. Com uma mão no leme, a outra segurando a máquina fotográfica ainda deu para tirar umas fotografias.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Aula de Yoga



Sabado, logo pela manhã, 9H30 houve uma aula de yoga no parque Zeca Afonso, pelo axerama, escreve-se áshrama (escola) do Barreiro

domingo, 25 de setembro de 2011

Festas em honra de Nª Sª da Graça








Hoje foi o dia da procissão solene. Uma tradição bem antiga em Sarilhos Pequenos. Os barcos engalanados na praia recebem a benção da Nª Srª da Graça.


sábado, 24 de setembro de 2011

Caldeirada em Sarilhos Pequenos











Estando a decorrer as festas em honra de Nª Sª da Graça, em Sarilhos Pequenos e as exposições sobre memórias do Tejo na ANS, realizou-se também um almoço de convívio entre os participantes no curso de pinturas em barcos típicos.


O mestre Diogo pintor de embarcações tradicionais do Tejo, professor do curso, fez a caldeirada que estava excelente e por fim cantou-se o fado.




quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Equinócio de Outono




Equinócio deriva do latim, aequus (igual) + nox (noite) . Ocasião do ano onde a duração do dia é igual á duração da noite. Este ano o Outono começa ás 9H30 do dia 23 de Setembro. A partir de agora e até ao solestício de Inverno os dias irão ficando mais pequenos .




As temperaturas têm estado relativamente elevadas para a época e ainda há quem vá à praia.

sábado, 17 de setembro de 2011

Dia do fogareiro









Como já vem sendo habitual, sexta-feira foi o dia do fogareiro. E foi neste dia que tive o prazer de conhecer o sr. Dias. Ele foi bastante cordial e simpático. Até me convidou para almoçar. Pena eu já ter almoçado que a feijoada estava memo com bom aspecto. Afinal não é todos os dias que se conhecem pintores com o talento do sr. Dias.

Cais da Moita




As fotos não têm cheiro, mas a imagem é ilucidativa. Apesar das obras de embelezamento da caldeira e do cais da Moita, apesar da ETAR, ainda persistem esgotos de considerável dimensão a serem despejados para o rio. E sendo assim a minha embarcação após a regata rumou para o Gaio e no dia seguinte para Sarilhos Pequenos.


Espero que no próximo ano as obras estejam concluidas e que as águas residuais (esgotos) sejam todas convenientemente tratadas e só então despejadas no rio.


Recordo da minha infância golfinhos no Tejo. Talvez um dia eles voltem.

Barcos engalanados




Após a regata em honra de Nª Senhora da Boa Viagem, na qual participei, houve no dia seguinte o concurso dos barcos engalanados, no qual não participei. A colocação de mareatos e outras bandeiras a enfeitar os barcos tipicos empresta um colorido muito próprio e já habitual nas diversas festas desta região ribeirinha.