quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Como é difícil governar

Um dia descobriu-se um buraco financeiro de 1,8 mil milhões de euros no BPN. E vai daí o estado injecta 1,8 mil milhões de euros nos cofres do BPN. Faz-se um rigoroso inquérito, apuram-se as responsabilidades. E vai daí …corta-se de 20 % nos salários dos funcionários públicos.
Meses depois descobre-se um buraco de 1,8 mil milhões de euros na ilha da Madeira. Faz-se um rigoroso inquérito, apura-se responsabilidades e vai daí corta-se metade do subsídio de Natal aos funcionários públicos.
Imediatamente a seguir descobre-se que a banca privada está esburacada e vai daí o estado pede um emprestimo à troika, 12 mil milhões de euros e dá à banca privada. Faz-se um apuramento das responsabilidades e vai daí cortam-se os subsídios de férias e de Natal aos funcionários públicos.
E todos os dias os ministros dizem ao povo " não temos outra alternativa ..." Sem cortes nos vencimentos dos funcionários públicos, “o trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima”


sábado, 19 de novembro de 2011

Para aumentar a competitividade...





Para a mentira ser segura
E ganhar profundidade
Tem de trazer á mistura
Qualquer coisa de verdade

António Aleixo







Agora a troika, os troikistas e os mais-troikistas-que-a-troika, anunciaram aquilo que já era esperado. Cortes nos salários, para … aumentar a competitividade das empresas, para … [salvar a pátria]
A competitividade depende de diversos factores:
1- Custo da matéria-prima
2- Custos das instalações
3- Gastos com a energia
4- Custo da mão-de-obra
5- Eficiência
6- Comercialização
Para aumentar a competitividade das empresas seria necessário:
1 – Baixar significativamente o IVA. Com custos acrescidos de 23 % na matéria-prima, à partida não pode existir competitividade.
2 – Os custos com as instalações, começando pela especulação imobiliária, são significativamente elevados e retiram ....competitividade
3 – A energia eléctrica e os combustíveis estão acrescidos de elevadíssimos impostos o que faz com que a energia em Portugal seja das mais caras do mundo. Com energia assustadoramente cara não existe competitividade possível.
4 – Os salários dos trabalhadores são dos mais baixos da Europa, não será por aí que existe perda de competitividade. A existência de significativos encargos com o pessoal deve-se ao facto de numa empresa com 400 trabalhadores existir um conselho de administração de 4 elementos a ganhar mais do que os 400 trabalhadores da empresa. A solução neste ponto seria reduzir os vencimentos dos gestores para níveis compatíveis com a realidade da empresa.
5 – A eficiência é a chave da competitividade. Trata-se de produzir uma determinada peça, num minuto, numa hora ou num dia. Porque geralmente os gestores são boys do partido, não são competentes e não sabem implementar eficiência.
6 – Quanto à comercialização, existe um velho truque. Baixar a cotação da moeda. Neste caso sair do euro (para o qual nunca se deveria ter entrado). Isso permitiria preços competitivos, aumentaria as exportações, levaria internamente a uma maior procura dos produtos nacionais e faria crescer a economia nacional.
Portanto o custo da mão-de-obra é um dos factores que influi no custo do produto final, mas na realidade portuguesa é precisamente o factor mais irrelevante, o menos significativo. Além de que será contraproducente. A perca de poder de compra dos trabalhadores irá conduzir a uma nova fase da recessão económica, irá agravar ainda mais a crise. Aliás, (como diz no cartaz do BE) isto não é crise coisa nenhuma. É um assalto.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Ponte para o Seixal

Existiu aqui (junto à actual estação dos barcos no Barreiro), outrora, uma ponte que fazia a ligação Barreiro- Seixal. A distância entre as duas margens, é de cerca de 500 m. Mas quem quizer ir até ao Seixal por terra vai ter de dar a volta por Coina, cerca de 17 Km, por mar vai de barco até Lisboa e depois volta para trás num outro barco até ao Seixal. Um verdadeiro desperdicio de tempo, dinheiro e combustível.


Porque é que se gasta tanto dinheiro em obras que só dão prejuizo (estádio de Leiria, por exemplo) e não se reconstruíu a ponte ? Na resposta estará o grande paradoxo da "democracia à portuguesa". Os interesses dos governantes não são os mesmos dos governados.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Uma tal de APPM




A Associação Portuguesa do Património Marítimo, o que é ?
Parece mais uma associação grega do que portuguesa. Dos cerca de 20 sócios, 15 são da direcção. Menos de metade da lista, 7 elementos, elegeram-se a si próprios e elegeram também os outros que não estavam presentes, alguns dos quais nem sequer conheciam e alguns dos quais nem poderiam, segundo os estatutos, (?) ser eleitos sequer.


Quem estiver interessado na defesa do património maritimo uma das primeiras coisas a fazer é não perder tempo com a APPM. Perdi lá uma tarde do sábado. Teria sido melhor ter ido dar uma tacada. Jogar snoker.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Em cargos influentes









Mais de 80 maçons em cargos influentes

“Miguel Relvas, um dos ministros mais influentes, Carlos Zorrinho, líder da bancada do PS, autarcas como Moita Flores ou Isaltino Morais, ex-ministros como Rui Pereira, ex-presidentes da AR como Almeida Santos, empresários como Jorge Coelho, deputados e muitas personalidades da sociedade fazem parte desta organização semi-secreta.” Estudo publicado no Diário de Notícias
Nos meus tempos da Escola Prática de Infantaria era frequente aparecerem ratazanas, sabia-se que o “calhau” (edifício do quartel) estava infestado dessa praga. Onde se vê uma ratazana existem 50. Sem pretender comparar o incomparável e apenas para efeitos de estimativa de cálculo pode-se utilizar esta relação de 1 em 50. 80 x 50 = 4000 (mais de 80, sem dúvida) . Se atendermos que nesses cargos os “influentes” auferem super vencimentos da ordem dos 200 000 € / mês, em média, então 4000 x 200000 = 800 000 000 € (oitocentos milhões de euros / mês). Ou seja 11 200 000 000 € / ano (11,2 mil milhões de euros / ano). E por aqui começa-se a ter uma noção da influência dos “influentes” nos cofres do estado. Se a maçonaria está estruturada ou não “como central para a tomada do poder” (António Reis ex grão mestre do GOL), isso é conversa de treta. Os maçons estão no poder. Põem e dispõem daquilo que não lhes pertence. Gastam muito mais daquilo que podem. Demasiadas, muitas vezes desnecessárias e sempre muito dispendiosas obras públicas habitualmente são “adjudicadas” as mesmas empresas onde figuram empresários “influentes”. O segredo é a alma do negócio e para isso a “organização [tem de ser] semi-secreta” (DN) . Mais correctamente dizendo, a alma do negócio tem sido a mentira. Nunca nenhum “influente” no poder disse nada como : “ a obra vai custar 10 mil milhões, não terá grande utilidade, prevê-se que depois de inaugurada vá dar um prejuízo de 2 milhões por ano, vamos ter de pedir o dinheiro emprestado e a obra já foi adjudicada à empresa do nosso ilustre camarada maçom fulano tal…” Aquilo que o poder diz é “ a obra é indispensável para o progresso do país e tem de ser feita e vai ser feita, isto não é nosso mas quem manda aqui somos nós “ E este é um segundo tipo de influência exercida pelos “influentes” sobre os cofres do estado (bem pior que o primeiro). Uma enorme dívida pública, que é já da ordem dos 100 % do PIB e vai agravar. Só pode agravar. E aqui é preciso contabilizar um 3º tipo de influência (esta bem pior que o segunda). A destruição do sector produtivo nacional. Inviabilizando a produção agrícola, as propriedades rurais ficam ao abandono, com elevados impostos e pagando a energia mais cara do mundo a indústria não consegue ter competitividade e as fabricas vão à falência e os comerciantes vão fechando as suas lojas. A classe média vai desaparecendo. Por dia aparecem em média 17 novas famílias a pedir ajuda à Caritas Portuguesa, antes pertenciam à classe média. Para uns a crise de outros representa apenas mais oportunidades de enriquecimento. Património público, empresas públicas, património de particulares incluíndo muito ouro, tudo isso está a ser vendido a baixo preço. Cada vez mais farequentemente se ouvem frases do tipo “ país está a saque”. Sem corrupção seria tão rico como a Finlândia.









quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A causa da crise






Imagine-se que uma qualquer pessoa, sentindo-se doente, 40 de febre, dá entrada nas urgências dum hospital. Que passa lá a noite no corredor e pela manhã, com a mudança de turno aparece um médico que lhe dá alta, com a seguinte justificação: “É preciso que você fique ainda mais doente para depois recuperar”. Em princípio um paciente, nunca iria acreditar em tal “balela” . Ao ir para casa sem qualquer tratamento arriscar-se-ia a morrer da doença. E duvida que aquele sujeito seja médico e apresenta queixa. E está no seu direito.
Inacreditavelmente, se um politico vier com “balelas” a dizer que “é preciso mergulhar na crise profunda para depois recuperar (…) que as crises são cíclicas, blá, blá, blá, etc…” há muito boa (e má) gente que acredita. Não só acreditam como servem também elas próprias de veículo de transmissão da mentira.
Para melhor entender a perversidade desta campanha publicitária, convém recuar um pouco na história. Ao terramoto de 1755, sismo de magnitude 9, seguido de um tsunami com ondas de 20 m de altura. Lisboa foi praticamente toda destruída, mais de 10 mil mortos. Conta-se que alguém perguntou ao Marquês de Pombal. “Então e agora” ?. Ao que este terá respondido: “ Enterram-se os mortos e cuida-se dos vivos”.
Com a morte do rei D. José I, em 1777, o Marquês de Pombal (que era maçon) é afastado do poder.
Em 1789 dá-se a revolução francesa (igualdade, Liberdade e Fraternidade), em 1799 a burguesia francesa coloca Napoleão no poder, em 1807, a primeira invasão francesa, Junot entra em Portugal “como cão por vinha vindimada”. A corte pisga-se para o Brasil. El-rei Junot é aplaudido por muitos portugueses (simpatizantes do liberalismo à francesa) e governa o país durante 8 meses. Mas muitos portugueses também se revoltaram, (Olhão por e para exemplo). Com a chegada das tropas inglesas Junot é forçado a sair do país, mas leva consigo avultados valores em ouro e prata e obras de arte provenientes do roubo às igrejas e dos saques às populações.
Dá-se uma 2ª invasão em 1808 e uma 3ª em 1810, esta comandada por Massena. A 3ª invasão foi detida nas linhas de Torres, concebidas pelo general inglês Arthur Wellesley. Por outro lado, Massena também era um brilhante estratega e concebeu uma retirada exemplar, com poucas baixas. As invasões francesas, muito pior que qualquer terramoto, deixaram o país devastado pela guerra, espoliado das suas riquezas (os franceses “roubavam tudo e não deixavam nada”) e devido à terra queimada muitos portugueses que não morreram da guerra morreram de fome. Mas eles (os liberais franceses) deixaram cá simpatizantes…. Em 1820 instalou-se em Portugal um regime de monarquia constitucional, com uma constituição inspirada no liberalismo francês.
Em 1892 José Dias Ferreira, bisavô de Manuela (Dias) Ferreira Leite, torna-se chefe do Governo, o país estava já em crise devido aos desmesurados investimentos em obras públicas. A dívida pública representava 81% do PIB. Juntamente com o Ministro da Fazenda - Oliveira Martins, tio-bisavô do actual presidente do Tribunal de Contas - tomou medidas de austeridade: subida de impostos, corte até 20% dos vencimentos dos funcionários públicos, suspensão de admissões no Estado e desvalorização cambial. Medidas essas que não resultaram, por uma razão muito simples. O problema não estava ali.
As obras públicas (estradas, portos, caminhos de ferro) assentavam num modelo que se pode considerar como a génese das actuais parcerias público-privadas. Eram concessões dadas a particulares que, muitas vezes, garantiam um determinado rendimento ao investimento e, se este ficasse abaixo desta garantia, havia compensação do Estado.
Em 1892 o rei D. Carlos doou 20% do seu rendimento anual para ajudar o Estado a sair da crise criada pelo “rotativismo” dos partidos. Deixou-se levar pelas “balelas” liberais e acabou assassinado por eles a 1 de Fevereiro de 1908.
A 5 de Outubro de 1910 é implantada a república. Não se trata de uma mudança de regime, mas de uma mudança da representação simbólica do regime. O regime deixou de ser representado simbolicamente por um rei, passou a ser simbolicamente representado por um presidente da república. O poder exercido pelo “liberalismo à francesa” continuou a ser exercido pelos mesmos agora com poderes ainda mais reforçados. Como consequência a crise foi-se agravando. A 1ª república durou 16 anos, ao longo dos quais houve oito Presidentes da República e 45 governos. À instabilidade politica acrescia a instabilidade económica. O país tinha uma agricultura de subsistência, uma indústria atrasada e um comércio atrofiado. Insuficiência produtiva, carestia de produtos, inflação, desvalorização da moeda e défice da balança de pagamentos ….
Com a revolução de 28 de Maio de 1926, e a criação do Estado Novo encerrou-se o período do liberalismo em Portugal. Aqui sim houve uma mudança de regime. A neutralização do liberalismo à francesa, permitiu estabilidade ao país. Em vésperas da queda do estado novo, não havia desemprego, não havia dívidas públicas, havia segurança nas ruas, mas o país continuava atrasado e pobre (em relação à média europeia) e estava a ficar desgastado pela guerra nas colónias.
O 25 de Abril de 1974 (a revolução dos cravos) foi uma revolta dos capitães milicianos, liderada pelo capitão Salgueiro da Maia e que acabou com a mais longa ditadura da história.
A 28 de Abril, vindo directamente de Paris, chega a Lisboa, Mário Soares. A 25 de Abril de 1975, nas primeiras eleições os neoliberais (nova vaga de liberalismo) conquistam o poder por via eleitoral.
Desde aí para cá, por causa da “rotatividade dos partidos” (os neoliberais do PS vão alternando com os neoliberais do PSD e cada um faz sempre pior que o anterior), a produção de CO2 tem vindo a aumentar, o PIB a diminuir, a divida do estado ultrapassa os 100 % do PIB, o desemprego deve rondar 1 milhão, as fabricas vão caindo como baralhos de cartas, a agricultura é quase inexistente, o défice na balança comercial é excessivamente elevado, os índices de criminalidade aumentam, as obras públicas inúteis e dispendiosas não param e os “muito competentes” gestores públicos ganham balúrdios, para que as suas empresas dêem milhões de prejuízo.
Há excepção do terramoto, de causa natural, a crise tem sido artificialmente provocada pela gestão danosa dos (neo)liberais. E até agora o governo que mais danos provocou na economia nacional foi o de Sócrates. Consta que esse sujeito vive em Paris, à grande e a francesa. Não há coincidências.

domingo, 6 de novembro de 2011

Festa de homenagem ao Padre Carlos

O Padre Carlos , tem 77 anos de idade e há cerca de 45 anos que está na paróquia de Alhos Vedros. É também um estudioso da história local, sendo autor do livro "Subsídios para a história de Alhos Vedros" . Os paroquianos reconhecidos fizeram uma festa em sua homenagem. O local escolhido foi, as instalações do rancho da Barra Cheia. O pleno coração da cultura caramela.


Aqui não podia faltar a famosa sopa. A sopa caramela (na foto em baixo) tem algumas semelhanças com a sopa da pedra, mas é mais leve (não tem pedras).






Na foto em cima, ao centro o padre Carlos, do seu lado direito o Dr Raul Coelho e do seu lado esquerdo a minha comadre Maria dos Anjos.