
Lembro-me de sensivelmente 3 ou 4 anos depois do 25 de Abril de 1974, de se poder almoçar fora por cerca de 100$00 ou seja 0,50€ . Hoje, 30 e poucos anos depois paga-se pelo mesmo tipo de almoço cerca de 10 € . Daqui se pode inferir que o custo de vida de lá para cá tenha aumentado 20 vezes. Um recente estudo publicado no jornal expresso indica que o aumento do salário mínimo desde 1974 até agora foi de 88 € . Não dispondo de valores exactos, duvido que o valor possa estar correcto, por estimativa direi que actualmente o salário mínimo ronda os 460 € e poucos anos pós 25 de Abril rondaria os 40 €. O aumento terá sido cerca de 10,1 vezes. Ou seja não acompanha o aumento do custo de vida. Grande novidade. Seria muito interessante que o referido estudo fizesse referência aos ordenados máximos. Hoje esses ordenados rondam o meio milhão de euros. Por volta de 1974 um gestor público ganharia cerca de 100 mil escudos, 500 euros. Ou seja os salários máximos aumentaram no período em que nos estamos a referir qualquer coisa como 1000 (mil) vezes. Isso só é possível na "democracia à portuguesa" pois no tempo de Salazar, segundo a lei “quem quer que ocupasse lugares de responsabilidade pública não podia ganhar mais do que um ministro”. Portanto na prática, a democracia, o socialismo, a social-democracia à portuguesa serviu para aumentar desmedidamente as desigualdades sociais. E são precisamente os factos que inviabilizam qualquer pretensão de apresentar o rapaz de Massamá como o Salazar do séc XXI, como o salvador da pátria. Salazar não nos livrou da fome e mais tarde não nos livrou da guerra. Deixou o país pobre e atrasado, mas com as contas públicas equilibradas. O pai da democracia à portuguesa e seus seguidores continuam a deixar o país pobre, atrasado e com uma dívida pública monstruosa que irá hipotecar o futuro das próximas gerações.
Se um cidadão com o salário mínimo quiser comprar uma casa por 200 mil euros, simplesmente não pode. Ficaria endividado para o resto da vida e nunca a chegaria a pagar. Se um gestor de uma empresa pública contrair igual dívida isso será irrelevante porque ele a poderá liquidar a muito curto prazo. Comparativamente a dívida de um país também é relativa e é relativa ao PIB. Com um PIB bastante elevado a dívida poderá ser paga, com um PIB muito baixo a dívida jamais será paga. E esta é a realidade portuguesa.
A recuperação económica baseada em medidas de austeridade (entenda-se cortes nos salários dos trabalhadores) e não no aumento do PIB, é pura demagogia. Certa vez alguém, durante a inauguração da casa da música no Porto terá perguntado ao pai da democracia à portuguesa o que pensava da derrapagem de não sei quantos milhões no custo da obra, ao que este terá respondido qualquer coisa como…”alguém há-de pagar”.
Disse parte da verdade, mas não toda a verdade. E a verdade é que é que as inúmeras e muito dispendiosas obras públicas não servem para desenvolver o país. E são feitas porque alguém (os rapazes do partido) ganham e muito com elas. Uns, o povo português na generalidade e os funcionários públicos em particular vão pagar e bem caro a má gestão ou a gestão em proveito próprio de outros.
Sem comentários:
Enviar um comentário