No workshop “Desafios à sustentabilidade marítimo fluvial do estuário do Tejo”, usaram da palavra vários oradores uns do Instituto de dinâmica do espaço da Universidade nova de Lisboa, do Ecomuseu do Seixal e da Associação Naval Sarilhense, tudo gente com uma larga vivência na área e um grande conhecimento do assunto em debate.
Pareceu-me ponto assente que as embarcações tradicionais por volta dos anos 60 perderam a sua funcionalidade de transporte de pessoas e mercadorias e caíram em desuso. Hoje servem como embarcações de recreio e nada mais do que isso.
Poderá não ser uma verdade indiscutível. Um pequeno catraio de 5 metros pode fazer o percurso Sarilhos Pequenos – Cais dos Vapores (Montijo) em cerca de 20 minutos. De automóvel, demora-se o mesmo tempo, ou até mais. Isto permite afirmar que o catraio enquanto meio de transporte não é assim tão obsoleto, tão ultrapassado. O único senão é que a referida viagem por mar, requer maré e vento qb coisa que poderá acontecer apenas uns 4 a 5 dias por mês. Substituir, em certas ocasiões, o carro por andar a pé, de bicicleta ou até de catraio começa por ser uma questão de organização e de estilo de vida. Faria bem à saúde e poupava-se algum dinheiro em combustível. Quanto ao transporte de mercadorias entre as duas margens, imagine-se que determinadas mercadorias não sendo urgentes poderiam ser entregues num prazo de uma semana ou mais, imagine-se que 10 % das mercadorias que circulam ente as duas margens poderiam ser transportadas em embarcações tradicionais. Poupava-se em emissões de CO2, em combustíveis, criavam-se postos de trabalho, revitalizavam-se s embarcações tradicionais. Ao contrário dos anos 60 em que a energia era barata, agora temos energia cara, problemas ambientais de aquecimento global e uma crise económica. Todo um contexto em que o desafio é a sustentabilidade. Um sistema hibrído de transportes, bem organizado talvez até pudesse funcionar . Afinal estamos na era das telecominicações.
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