
Imagine-se que uma qualquer pessoa, sentindo-se doente, 40 de febre, dá entrada nas urgências dum hospital. Que passa lá a noite no corredor e pela manhã, com a mudança de turno aparece um médico que lhe dá alta, com a seguinte justificação: “É preciso que você fique ainda mais doente para depois recuperar”. Em princípio um paciente, nunca iria acreditar em tal “balela” . Ao ir para casa sem qualquer tratamento arriscar-se-ia a morrer da doença. E duvida que aquele sujeito seja médico e apresenta queixa. E está no seu direito.
Inacreditavelmente, se um politico vier com “balelas” a dizer que “é preciso mergulhar na crise profunda para depois recuperar (…) que as crises são cíclicas, blá, blá, blá, etc…” há muito boa (e má) gente que acredita. Não só acreditam como servem também elas próprias de veículo de transmissão da mentira.
Para melhor entender a perversidade desta campanha publicitária, convém recuar um pouco na história. Ao terramoto de 1755, sismo de magnitude 9, seguido de um tsunami com ondas de 20 m de altura. Lisboa foi praticamente toda destruída, mais de 10 mil mortos. Conta-se que alguém perguntou ao Marquês de Pombal. “Então e agora” ?. Ao que este terá respondido: “ Enterram-se os mortos e cuida-se dos vivos”.
Com a morte do rei D. José I, em 1777, o Marquês de Pombal (que era maçon) é afastado do poder.
Em 1789 dá-se a revolução francesa (igualdade, Liberdade e Fraternidade), em 1799 a burguesia francesa coloca Napoleão no poder, em 1807, a primeira invasão francesa, Junot entra em Portugal “como cão por vinha vindimada”. A corte pisga-se para o Brasil. El-rei Junot é aplaudido por muitos portugueses (simpatizantes do liberalismo à francesa) e governa o país durante 8 meses. Mas muitos portugueses também se revoltaram, (Olhão por e para exemplo). Com a chegada das tropas inglesas Junot é forçado a sair do país, mas leva consigo avultados valores em ouro e prata e obras de arte provenientes do roubo às igrejas e dos saques às populações.
Dá-se uma 2ª invasão em 1808 e uma 3ª em 1810, esta comandada por Massena. A 3ª invasão foi detida nas linhas de Torres, concebidas pelo general inglês Arthur Wellesley. Por outro lado, Massena também era um brilhante estratega e concebeu uma retirada exemplar, com poucas baixas. As invasões francesas, muito pior que qualquer terramoto, deixaram o país devastado pela guerra, espoliado das suas riquezas (os franceses “roubavam tudo e não deixavam nada”) e devido à terra queimada muitos portugueses que não morreram da guerra morreram de fome. Mas eles (os liberais franceses) deixaram cá simpatizantes…. Em 1820 instalou-se em Portugal um regime de monarquia constitucional, com uma constituição inspirada no liberalismo francês.
Em 1892 José Dias Ferreira, bisavô de Manuela (Dias) Ferreira Leite, torna-se chefe do Governo, o país estava já em crise devido aos desmesurados investimentos em obras públicas. A dívida pública representava 81% do PIB. Juntamente com o Ministro da Fazenda - Oliveira Martins, tio-bisavô do actual presidente do Tribunal de Contas - tomou medidas de austeridade: subida de impostos, corte até 20% dos vencimentos dos funcionários públicos, suspensão de admissões no Estado e desvalorização cambial. Medidas essas que não resultaram, por uma razão muito simples. O problema não estava ali.
As obras públicas (estradas, portos, caminhos de ferro) assentavam num modelo que se pode considerar como a génese das actuais parcerias público-privadas. Eram concessões dadas a particulares que, muitas vezes, garantiam um determinado rendimento ao investimento e, se este ficasse abaixo desta garantia, havia compensação do Estado.
Em 1892 o rei D. Carlos doou 20% do seu rendimento anual para ajudar o Estado a sair da crise criada pelo “rotativismo” dos partidos. Deixou-se levar pelas “balelas” liberais e acabou assassinado por eles a 1 de Fevereiro de 1908.
A 5 de Outubro de 1910 é implantada a república. Não se trata de uma mudança de regime, mas de uma mudança da representação simbólica do regime. O regime deixou de ser representado simbolicamente por um rei, passou a ser simbolicamente representado por um presidente da república. O poder exercido pelo “liberalismo à francesa” continuou a ser exercido pelos mesmos agora com poderes ainda mais reforçados. Como consequência a crise foi-se agravando. A 1ª república durou 16 anos, ao longo dos quais houve oito Presidentes da República e 45 governos. À instabilidade politica acrescia a instabilidade económica. O país tinha uma agricultura de subsistência, uma indústria atrasada e um comércio atrofiado. Insuficiência produtiva, carestia de produtos, inflação, desvalorização da moeda e défice da balança de pagamentos ….
Com a revolução de 28 de Maio de 1926, e a criação do Estado Novo encerrou-se o período do liberalismo em Portugal. Aqui sim houve uma mudança de regime. A neutralização do liberalismo à francesa, permitiu estabilidade ao país. Em vésperas da queda do estado novo, não havia desemprego, não havia dívidas públicas, havia segurança nas ruas, mas o país continuava atrasado e pobre (em relação à média europeia) e estava a ficar desgastado pela guerra nas colónias.
O 25 de Abril de 1974 (a revolução dos cravos) foi uma revolta dos capitães milicianos, liderada pelo capitão Salgueiro da Maia e que acabou com a mais longa ditadura da história.
A 28 de Abril, vindo directamente de Paris, chega a Lisboa, Mário Soares. A 25 de Abril de 1975, nas primeiras eleições os neoliberais (nova vaga de liberalismo) conquistam o poder por via eleitoral.
Desde aí para cá, por causa da “rotatividade dos partidos” (os neoliberais do PS vão alternando com os neoliberais do PSD e cada um faz sempre pior que o anterior), a produção de CO2 tem vindo a aumentar, o PIB a diminuir, a divida do estado ultrapassa os 100 % do PIB, o desemprego deve rondar 1 milhão, as fabricas vão caindo como baralhos de cartas, a agricultura é quase inexistente, o défice na balança comercial é excessivamente elevado, os índices de criminalidade aumentam, as obras públicas inúteis e dispendiosas não param e os “muito competentes” gestores públicos ganham balúrdios, para que as suas empresas dêem milhões de prejuízo.
Há excepção do terramoto, de causa natural, a crise tem sido artificialmente provocada pela gestão danosa dos (neo)liberais. E até agora o governo que mais danos provocou na economia nacional foi o de Sócrates. Consta que esse sujeito vive em Paris, à grande e a francesa. Não há coincidências.
Inacreditavelmente, se um politico vier com “balelas” a dizer que “é preciso mergulhar na crise profunda para depois recuperar (…) que as crises são cíclicas, blá, blá, blá, etc…” há muito boa (e má) gente que acredita. Não só acreditam como servem também elas próprias de veículo de transmissão da mentira.
Para melhor entender a perversidade desta campanha publicitária, convém recuar um pouco na história. Ao terramoto de 1755, sismo de magnitude 9, seguido de um tsunami com ondas de 20 m de altura. Lisboa foi praticamente toda destruída, mais de 10 mil mortos. Conta-se que alguém perguntou ao Marquês de Pombal. “Então e agora” ?. Ao que este terá respondido: “ Enterram-se os mortos e cuida-se dos vivos”.
Com a morte do rei D. José I, em 1777, o Marquês de Pombal (que era maçon) é afastado do poder.
Em 1789 dá-se a revolução francesa (igualdade, Liberdade e Fraternidade), em 1799 a burguesia francesa coloca Napoleão no poder, em 1807, a primeira invasão francesa, Junot entra em Portugal “como cão por vinha vindimada”. A corte pisga-se para o Brasil. El-rei Junot é aplaudido por muitos portugueses (simpatizantes do liberalismo à francesa) e governa o país durante 8 meses. Mas muitos portugueses também se revoltaram, (Olhão por e para exemplo). Com a chegada das tropas inglesas Junot é forçado a sair do país, mas leva consigo avultados valores em ouro e prata e obras de arte provenientes do roubo às igrejas e dos saques às populações.
Dá-se uma 2ª invasão em 1808 e uma 3ª em 1810, esta comandada por Massena. A 3ª invasão foi detida nas linhas de Torres, concebidas pelo general inglês Arthur Wellesley. Por outro lado, Massena também era um brilhante estratega e concebeu uma retirada exemplar, com poucas baixas. As invasões francesas, muito pior que qualquer terramoto, deixaram o país devastado pela guerra, espoliado das suas riquezas (os franceses “roubavam tudo e não deixavam nada”) e devido à terra queimada muitos portugueses que não morreram da guerra morreram de fome. Mas eles (os liberais franceses) deixaram cá simpatizantes…. Em 1820 instalou-se em Portugal um regime de monarquia constitucional, com uma constituição inspirada no liberalismo francês.
Em 1892 José Dias Ferreira, bisavô de Manuela (Dias) Ferreira Leite, torna-se chefe do Governo, o país estava já em crise devido aos desmesurados investimentos em obras públicas. A dívida pública representava 81% do PIB. Juntamente com o Ministro da Fazenda - Oliveira Martins, tio-bisavô do actual presidente do Tribunal de Contas - tomou medidas de austeridade: subida de impostos, corte até 20% dos vencimentos dos funcionários públicos, suspensão de admissões no Estado e desvalorização cambial. Medidas essas que não resultaram, por uma razão muito simples. O problema não estava ali.
As obras públicas (estradas, portos, caminhos de ferro) assentavam num modelo que se pode considerar como a génese das actuais parcerias público-privadas. Eram concessões dadas a particulares que, muitas vezes, garantiam um determinado rendimento ao investimento e, se este ficasse abaixo desta garantia, havia compensação do Estado.
Em 1892 o rei D. Carlos doou 20% do seu rendimento anual para ajudar o Estado a sair da crise criada pelo “rotativismo” dos partidos. Deixou-se levar pelas “balelas” liberais e acabou assassinado por eles a 1 de Fevereiro de 1908.
A 5 de Outubro de 1910 é implantada a república. Não se trata de uma mudança de regime, mas de uma mudança da representação simbólica do regime. O regime deixou de ser representado simbolicamente por um rei, passou a ser simbolicamente representado por um presidente da república. O poder exercido pelo “liberalismo à francesa” continuou a ser exercido pelos mesmos agora com poderes ainda mais reforçados. Como consequência a crise foi-se agravando. A 1ª república durou 16 anos, ao longo dos quais houve oito Presidentes da República e 45 governos. À instabilidade politica acrescia a instabilidade económica. O país tinha uma agricultura de subsistência, uma indústria atrasada e um comércio atrofiado. Insuficiência produtiva, carestia de produtos, inflação, desvalorização da moeda e défice da balança de pagamentos ….
Com a revolução de 28 de Maio de 1926, e a criação do Estado Novo encerrou-se o período do liberalismo em Portugal. Aqui sim houve uma mudança de regime. A neutralização do liberalismo à francesa, permitiu estabilidade ao país. Em vésperas da queda do estado novo, não havia desemprego, não havia dívidas públicas, havia segurança nas ruas, mas o país continuava atrasado e pobre (em relação à média europeia) e estava a ficar desgastado pela guerra nas colónias.
O 25 de Abril de 1974 (a revolução dos cravos) foi uma revolta dos capitães milicianos, liderada pelo capitão Salgueiro da Maia e que acabou com a mais longa ditadura da história.
A 28 de Abril, vindo directamente de Paris, chega a Lisboa, Mário Soares. A 25 de Abril de 1975, nas primeiras eleições os neoliberais (nova vaga de liberalismo) conquistam o poder por via eleitoral.
Desde aí para cá, por causa da “rotatividade dos partidos” (os neoliberais do PS vão alternando com os neoliberais do PSD e cada um faz sempre pior que o anterior), a produção de CO2 tem vindo a aumentar, o PIB a diminuir, a divida do estado ultrapassa os 100 % do PIB, o desemprego deve rondar 1 milhão, as fabricas vão caindo como baralhos de cartas, a agricultura é quase inexistente, o défice na balança comercial é excessivamente elevado, os índices de criminalidade aumentam, as obras públicas inúteis e dispendiosas não param e os “muito competentes” gestores públicos ganham balúrdios, para que as suas empresas dêem milhões de prejuízo.
Há excepção do terramoto, de causa natural, a crise tem sido artificialmente provocada pela gestão danosa dos (neo)liberais. E até agora o governo que mais danos provocou na economia nacional foi o de Sócrates. Consta que esse sujeito vive em Paris, à grande e a francesa. Não há coincidências.
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